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Do bloco à chapa: o que acontece dentro de uma serraria de quartzito no Espírito Santo

Como o tear multifio mudou a forma de transformar rocha bruta em chapas, e por que milímetros de fio fazem diferença no fim da conta.

Galpão da Stoneberry com ponte rolante amarela, chapas de rocha empilhadas à esquerda e teares multifio Skystone Warrior e Hedel Delta Wire em operação à direita

Quem passa pelas estradas de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo, se acostuma com uma cena: caminhões carregando blocos de pedra do tamanho de um carro. Eles saem das pedreiras e seguem para as serrarias da região, que é um dos maiores polos de rochas ornamentais do Brasil.

Mas o que acontece entre o bloco bruto e a chapa polida que vira bancada de cozinha, piso de hotel ou fachada de prédio? Essa etapa intermediária é pouco conhecida fora do setor, e é nela que se decide boa parte do aproveitamento de um material que levou milhões de anos para se formar.

O problema: rocha dura, perda alta

Quartzitos e granitos estão entre os materiais mais desejados do mercado, justamente por serem duros, resistentes e cheios de desenho. Só que essa mesma dureza torna o corte difícil.

Por décadas, o padrão foi o tear de lâminas: lâminas de aço que vão e voltam sobre o bloco, com granalha abrasiva fazendo o trabalho de desgaste. Funciona, mas é lento. Além disso, cada corte “come” uma faixa grossa de rocha, que vira pó e lama.

Em material comum, isso já pesa no custo. Em um quartzito exótico, cujo metro quadrado vale muito, cada milímetro perdido no corte é dinheiro que não volta.

A virada: fio diamantado

O tear multifio substitui as lâminas por dezenas de fios de aço com pérolas diamantadas, esticados em paralelo. Os fios giram em alta velocidade e descem sobre o bloco cortando todas as chapas ao mesmo tempo.

Close de um fio diamantado atravessando o bloco de rocha, com água escorrendo para refrigerar o corte

Três coisas mudam na prática:

  1. Menos perda. O fio é bem mais fino que uma lâmina, então sobra mais rocha em forma de chapa.
  2. Mais velocidade. Um bloco que levaria dias no tear convencional é serrado em horas.
  3. Chapas mais uniformes. Com o fio bem tensionado, a espessura fica constante de ponta a ponta, o que facilita o polimento e reduz quebra depois.

É aqui que a espessura do fio vira assunto sério. Num bloco de mais de 3 metros, a diferença entre um fio de 7,3 mm e um de 5,3 mm, multiplicada por 70 ou 80 cortes, aparece no fim como chapas a mais ou a menos saindo do mesmo bloco.

Um exemplo real: serrada como serviço

Em São Joaquim, distrito de Cachoeiro, a Stoneberry trabalha com um modelo que ainda surpreende quem é de fora: ela não compra nem vende pedra. A empresa só presta o serviço de serrada. O dono do bloco (mineradora, marmoraria ou exportador) leva o material, recebe as chapas e segue com o próprio negócio.

Esse formato B2B resolve um conflito antigo do setor. Quando a serraria também comercializa rocha, o cliente pode desconfiar de estar entregando seu melhor material a um concorrente. Separando as duas coisas, a relação fica mais simples: a serraria cuida do corte, e o cliente cuida da venda.

Tear Gaspari Menotti GMW mk2 serrando um bloco em primeiro plano, com o tear Hedel Delta Wire 2 ao fundo e duas pontes rolantes amarelas de 7 toneladas

Na operação, são três teares multifio rodando ao mesmo tempo:

EquipamentoFioNº de fiosBloco máximo
Skystone Warrior5,3 mm803.600 × 2.200 mm
Hedel Delta Wire 27,3 mm743.450 × 2.100 mm
Gaspari Menotti mk27,3 mm683.450 × 2.100 mm

O foco são quartzitos, granitos e rochas silicáticas, incluindo materiais exóticos e de alta dureza. A planta funciona 24 horas por dia, o ano todo. A capacidade é de cerca de 120 blocos por mês, algo em torno de 40 mil m² de chapas mensais. Os detalhes de cada máquina estão na página de serrada de blocos em multifio.

O que observar ao escolher onde serrar

Se você trabalha com rochas ornamentais e está avaliando para onde mandar seus blocos, algumas perguntas ajudam:

  • Qual a espessura do fio? Fios mais finos significam menos perda, principalmente em material caro.
  • O equipamento comporta o tamanho dos meus blocos? Bloco que não cabe precisa ser reesquadrejado, e isso também é perda.
  • A serraria compra ou vende rocha? Se vende, avalie se faz sentido para o seu negócio.
  • Como é a manutenção? Tensão errada e fio gasto geram chapa ondulada e quebra.
  • Qual o prazo real? Operação contínua faz diferença quando há contêiner com data marcada.

Fechando

A pedra que chega à sua cozinha passou por pedreira, transporte, serrada, polimento e corte final. Cada etapa acrescenta valor ou desperdiça. A serrada costuma ser a menos lembrada, mas é ela que define quanto de um bloco vira produto de verdade.

No Espírito Santo, a tecnologia de fio diamantado mudou essa conta. E entender esse processo ajuda tanto quem compra quanto quem produz a tirar mais de cada bloco.